12 Dec 2007
A polêmica do casamento gay

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Estamos em pleno século XXI, em plena Era de Aquário, que segundo a Wikipedia:
(…) será uma era de fraternidade universal baseada na razão onde será possível solucionar os problemas sociais de maneira equitativa para todos e com grandiosas oportunidades para o desenvolvimento intelectual e espiritual, dado que Aquarius é um signo aéreo, científico, intelectual e o seu planeta regente, Uranus, é associado com a intuição (conhecimento acima da razão) e percepções directas do coração e, a nível mundano, este planeta rege a electricidade e tecnologia.
Apesar disso, o que mais temos visto por aí são manifestações de intolerância religiosa, política, quanto à orientação sexual (assunto desse texto) e intolerância contra quem gosta de futebol (de todas, a única intolerância tolerável). Não é raro vermos noticiados nos jornais assassinatos bárbaros, espancamentos, torturas, atos vis (como aquela prefeitura que afastou as duas professoras da escola da comunidade) contra indivíduos que aconteceram de gostar de gente do mesmo sexo.
Para piorar a situação, o tal do Bento XVI resolveu agora (aquelas olheiras dele têm o maior jeitão de maquiagem definitiva, só eu que acho?) botar mais lenha na fogueira inquisidora da ignorância da massa, declarando o quão “pernicioso” é o casamento gay, porque vai contra a família, e tudo o que vai contra a família deve ser combatido.
Aproveito então o mote para descrever a minha visão sobre o casamento gay (e não estou nem aí se tiver gente que não goste).
O casamento gay obrigatoriamente tem que ser à tarde, de preferência numa sexta-feira ou num domingo. Afinal de contas, nenhum casal de bibas vai gostar do lugar comum de casar no sábado à noite. Tem que ser à luz do dia par poder usar aquele terninho rosa claro, digo, salmón, com aquele chapéu chiquérrimo.
Os convidados mais conservadores irão todos com vestes adequadas ao seu gênero original (se a parteira disse que é macho, vão todos de terno; se ela disse que é fêmea, vão todas de saia), e os mais resolvidos e badalados poderão ir montados se assim o desejarem, mas sem nunca desrespeitar a cerimônia dos noivos, porque ninguém quer ver aquelas duas bichas raivosas, né?
Os gays pagam um preço altíssimo para ser quem eles são, e isso fica refletido na decoração carésima que os noivos vão encomendar para uma amiga decoradora. Aliás, a igreja nem precisa ser a mais chique da cidade, contanto que seja a mais chamativa (por exemplo, a Igreja das Dores, em Porto Alegre, que tem escadarias enormes para acolher todos os convidados chiquérrimos, que de quebra podem tentar jogar um charme nos milicos do quartel em frente).
Eventos importantes sempre devem ser noticiados nas colunas sociais, e casamentos gays não podem ser exceção. Nem que para isso os noivos tenham de passar meses a pão com ovo para economizar a grana para pagar a nota.
Mas, como em todo casamento mais ou menos tradicional, o ponto alto do casamento gay é a hora do buquê. Um dos noivos, possivelmente o melhor dotado de coordenação motora, vai fazer o lançamento do buquê. Mas nada dessa coisa brega de ficar de costas para as amigas e jogar as flores para todas se matarem e apenas uma ser “a boa” da festa. Era de Aquarius, lembram?
Então, o noivo selecionado vai baixar a calça rosa, virar de bunda para os convidados e seu consorte enfiar-lhe-á o buquê de flores no rabo; é possível que as pessoas não entendam muito bem o que acontece, mas quando o buquê for por efeito de pressão expelido aos ares, descrevendo uma parábola, explodindo ao chegar ao seu ápice, todos os convidados compreenderão a mensagem de igualdade e alegria: uma chuva de pétalas vai cobrir toda a bicharada, que ficará dando pulinhos nas pontas dos pés, com as mãozinhas fechadinhas próximas ao corpo.
E todos viverão felizes para sempre.
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Abençoado Jânio! A-d-o-r-e-i! Agora tens que fazer a outra versão, porque esta é muito machistas. Coitadas das moças que gostam de moças… puxa vida! Elas também são gente! (as entonações, meu querido, vc imagina aí).
Iluminaste uma madrugada conturbada.
bj
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huahuahau… meus olhinhos se encheram de lágrimas…
quanta criatividade… ahahahah
Achei ótimo!
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Jango!
Arrebentou! Sem mais palavras.
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Meu lado capitalista já está a favor da legalização do casamento gay, poxa, vou levantar uma grana forte, basta umas idéias criativas, um local descolado para cerimonia e pronto, $$$ em caixa
Pena que o Kaiser imponha todo o poder do império romano para barrar isso, sem contar os outros desgarrados, tem um que propôs no congresso nacional (ou melho, vergonha nacional) a criação de um bolsa-estupro para “combater o aborto”, que são autorizados nesses casos, lamentável.
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Espero que todas as cerimônias sejam presenciadas pelo papa.
[Reply]
[...] Texto daqui. [...]
E nesse papo todo, o que me deixa mais triste é saber que quem deveria ser mais tolerante e prestativo nessa situação, que é a igreja, os católicos e os evangélicos são os mais intolerantes, dizem que isso é uma aberração da natureza, pedem (te juro que eu já vi isso) o extermínio dos homossexuais e vociferam tantas palavras de ódio que até os nazistas ficariam assustados.
E olha que dois dos dez mandamentos são:
* Não matarás.
* Amai ao próximo como a ti mesmo.
Irônico, não?
[Reply]
Luiz.
“Irônico” é um eufemismo bem brando.
Nessa confusão toda de religiões institucionalizadas a única que não discrimina absolutamente ninguém e acolhe as pessoas como elas são é a Umbanda (e suas variantes). Qualquer um pode chegar numa casa de Umbanda: viado, bandido, bêbado. Basta respeitar e ter a intenção de buscar e dar o seu melhor.
Ainda vou escrever sobre isso, mas não ando com cabeça para pensar longamente sobe assuntos que me irritam (como a intolerância), e por isso prefiro fazer piada sobre os assuntos, me dá mais prazer.
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[...] dinâmica para ler todos os três mil feeds acumulados desde a era pré-férias, não tinha lido isso. E ainda me vieram dar bronca via email por conta do texto sobre gordos. [...]