Até pouco tempo atrás o Twitter era um meio populado por nerds e entusiastas das novidades. De repente os nem tão nerds assim começaram a frequentar o tal do microblog, ele foi matéria do Fantástico, e pimba! Formou-se uma invasão maciça de gente buscando seu espaço na “nova mídia”.
É claro que ao ser frequentada por um volume imenso de pessoas — em outras palavras, tornando-se um meio de comunicação de massa — não tardaria para que as “celebridades” passassem a arrastar multidões. Claro, isso é uma metáfora, pois a multidão de “tuiteiros” parece preferir ficar com a bunda sentada numa cadeira.
Muitas celebridades da mídia tradicional (atores, jornalistas, músicos, malas sem alça que se acham o gás da última coca-cola do deserto, coisa e tal) literalmente invadiram o Twitter, a maioria sem nem saber o que estava fazendo ali.
Por exemplo: Tico Santa Cruz, dos Detonautas, só criou um perfil porque descobriu que havia um “fake” dele (um perfil falso). Não que fosse exclusividade, mas ele ficou injuriado quando soube. Aliás, se não me falha a memória, o Marcelo Tas também ficou indignado quando criaram um fake dele, só que nesse caso o original chegou antes e sabia o que estava fazendo.
Dá pra dizer também que existem dois tipos de famosos no Twitter: os que trouxeram a fama dos meios de massa (como os dois supra citados), ou os que construíram uma popularidade que se mede pelo número de seguidores. O Cardoso, por exemplo, tem menos de 10% dos seguidores do Tas, mas — em minha humilde opinião — isso não o faz menos importante que o quase sósia do Wilson. A diferença reside apenas no fato que o Cardoso amealhou seus simpatizantes exclusivamente pelo seu trabalho em seus blogs, no próprio Twitter, e não usando a influência da tevê. E, claro, não estou julgando, afinal o Tas estava na televisão muito antes de a Internet, nem se fala de Twitter.
Considerando esse fator, criou-se um “mercado” muito concorrido: todo mundo (perdão pela generalização) quer ser celebridade do Twitter, todo mundo quer ter milhares de seguidores, e para isso usam de meios questionáveis, como o script que um fulano aí fez que adiciona gente adoidado na expectativa de que os seguidos passem a seguir o meliante também. Ou até pior: teve um site que enviou spam com uma mensagem fingindo ser o aviso do Twitter de novo seguidor. Como eu sei? Simples: recebi a mensagem supostamente do Twitter num e-mail que não é o que eu uso lá.
De vez em quando eu vejo gente mais desinformada ingênua se perguntando no Twitter por que é tão importante para certas pessoas ter milhares de seguidores. A resposta, basicamente, reside sobre dinheiro e ego (não o Ego, o site spammer impostor, mas sim aquele substrato da psiquê humana).
Sobre a questão do ego acho que não preciso explicar, mas sobre a questão da grana cabe um comentário: quanto mais gente segue você, mais alcance terá uma mensagem que você envie. O próprio Tas, segundo me consta (e se eu estiver errado me avisem que eu corrijo o texto) já fez “twits patrocinados” para a Telefonica, e agências de publicidade vivem em busca de quem propague as suas “ações” em troca de… de… de algo, pronto.
Além do mais, com 120 mil seguidores é impossível de ler as respostas a uma mensagem enviada. Se 1% dos seguidores do Tas responderem uma mensagem dele serão 1.200 respostas. Impossível de acompanhar. E muita gente quer ter esse poder de fazer transmissões no Twitter, em vez de ter de lidar com o feedback dos leitores. É claro que quem quiser simplesmente ignora as respostas (eu mesmo de vez em quando faço isso, embora não seja sistemático nesse aspecto), mesmo que tenha um único seguidor, mas com dezenas de milhares deles fica fácil.
Mas um divertimento que me atrai nessa coisa toda de celebridades que querem ser populares à força num meio sem nem conhecê-lo (a ponto de divulgarem o telefone celular para milhares de pessoas verem achando que estão numa conversa privada) é ver como escrevem essas celebridades (talvez chamem-se assim porque tenham “célebro”).
Das poucas, muito poucas, celebridades que sigo no Twitter (nas quais o Cardoso não se inclui porque ele já estava lá quando os colonizadores descobriram a ferramenta) o Tas é um dos que não me causam “nervos” ao ler. Dos demais é um tal de “os caras faz”, “nós foi”, “akele” e outras atrocidades que chega a dar nos nervos. Isso demonstra uma coisa muito simples: o fato de serem famosos e estarem em permanente exposição na mídia não os faz muito melhores do que as mulheres-fruta tão duramente criticadas aqui, ali e acolá.
Por fim, gostaria de citar um trecho de autoria do Mauricio Stycer (colunista do Ig, recomendo muito que o leiam porque o cara manda bem pra caramba):
O que é preciso saber e aprender para ser jornalista? É uma questão polêmica. Há alguns consensos: é preciso ter cultura geral e domínio total da língua portuguesa. Conhecer história é fundamental. Matemática e estatística são conhecimentos necessários. Ética. Direito. É preciso ter o hábito de ler jornais e revistas, ter gosto pela informação. Ter espírito crítico, ser capaz de compreender a realidade em que vive, é outro atributo obrigatório.
Ele fala isto com relação aos jornalistas e a não mais obrigatoriedade de diploma (trecho retirado daqui), mas eu sou um pouco mais radical, e acho que qualquer um que queira dizer aos outros como pensar deveria ostentar os predicados acima.
Talvez isso os livrasse do mico que o próprio Mauricio descreve muito bem aqui (e eu resumo ao estilo Twitter, 140 caracteres, assim: o Rafinha Bastos criou a tag #forasarney e um grupo de metidinhos a sequestrou para tentar parecer fodões).






É até divertido ver as “celebridades” dando gafes no twitter, inclusive algumas escrevendo errado como citado por você.
Quanto ao Tas, não há o que falar, ele já mandava muito quando mantinha apenas o blog, agora com o twitter ele conseguiu multiplicar a capacidade de seu inteligente “spread” (não consigo definir uma palavra em português tão boa quanto essa inglesa).
Abração
[...] ontem escrevi sobre a invasão das celebridades no Twitter, e as atitudes desesperadas destas por mais [...]
Existem celebridades no Twitter, que estão lá só pra entrar na modinha. E existem as celebridades tuiteiras que tem relevância real no mundinho azul.
Estas valem a pena seguir.