Há certas coisas que deveriam dar cadeia, prisão perpétua, trabalhos forçados até a morte por inanição, mas que nem crime são consideradas.

Vi no Velho (assino o fide, na verdade) um post chamado Choque de realidade, em que aparece uma criança abrindo seus presentes de natal, e…

Bem, ao invés de descrever, melhor eu mostrar o vídeo.

Como você teve a chance de observar, é um menino abrindo os presentes de natal, e ao tirar o papel de embrulho ele vê ali na sua frente a materialização de um sonho: um XBox 360 (link para comparação de preços). Quer dizer, a caixa de um console desses, entupido daquilo que as crianças mais odeiam ganhar na vida: roupas (que, provavelmente, eram de algum primo mais velho).

Para ser politicamente correto eu estive procurando informações que me levassem a concluir que o menino fosse um grande ator mirim participando de um esquete de programa de humor negro (por politicamente incorreto, nada a ver com a etnia do guri), mas nada: segundo o sujeito que enviou o vídeo para o YouTube a família realmente armou essa peça nojenta de crueldade contra o menino, além de expor toda a sua humilhação no maior site de vídeos do planeta.

Depois as crianças se tornam delinqüentes juvenis, parricidas, e tentam encontrar mil justificativas na Internet, nos videogames, na televisão, mas o problema são as matrizes os pais. Tanto lá quanto aqui, vejam o desabafo do Becher: Quase matei uma criança.

Não sei o que é mais nauseante: se é ver os pais rindo cruelmente do gurizinho e repetindo “what did you think it was? An Xbox? We cannot afford it” (”o que você pensou que fosse? Um Xbox? A gente não pode pagar por ele”), ou saber que quem violentou os sonhos desse menino foram as pessoas que ele mais ama, e que não vai deixar de amar, mas certamente ao mesmo tempo vai passar a odiar.

Enfim, psicólogos, terapeutas e psiquiatras vivem graças aos duplos-vínculos que pais despreparados, cruéis e imbecis plantam na alma de seus rebentos. Não que pais amorosos não cometam deslizes, mas é certo que as cavalgaduras que armaram para o moleque do vídeo não têm o menor moral para dizer que querem o melhor para o filho e que o amam. Se amassem não o exporiam a uma humilhação tão cruel.

Atualização: acabo de ver que o Slonik também escreveu sobre o assunto em Pais malditos enganam seu filho: você sabe que não podemos comprar um Xbox!

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