24 Sep 2004
A arte de calar
Dia desses o Jonas Galvez postou um texto falando do gesto legal da Macromedia, ocorrido em seqüência a uma, no mínimo, grande desatenção: enviaram um presente pra ele, mas ele, o presenteado, teria de pagar uma cota de oitenta dólares para poder retirar o pacote na Fedex. O gesto legal, claro, foi a Macromedia assumir o erro e a pouca experiência em presentear, e propor-se a enviar novamente o presente, desta vez com as despesas pagas.
Como o Jonas parece ser muito mais humilde e cabeça-fresca do que eu, ele fez um pedido de desculpas público à Macromedia, no mesmo meio em que havia tecido as críticas, o seu blog. Eu teria no máximo explicado os fatos, mas não pediria desculpas.
E eu falei disso num comentário que fiz lá mesmo, ao que fui chamado à razão por um outro cara, australiano pelo que entendi, que me perguntava se eu sabia da complicação de fazer remessas para lá.
Eu prezo muito o Jonas, e por respeito a ele jamais usaria os comentários de seu blog para falar qualquer coisa que pudesse ser confundida com um flame-war, ou coisa que o valha. Porque o menino aquele da terra dos cangurus não entendeu o que eu tentei dizer, ou meu Inglês não foi o suficiente para passar a mensagem, e continuar aquele assunto seria apenas alimentar a sua paixão (embora ele negue, seu blog é um poço de louvores à Macromedia).
Em resumo: se a Macromedia tem escritório no Brasil, tem mais do que obrigação de saber como funcionam as leis daqui. Lamento se na Austrália as coisas são diferentes.
Mas isso tudo é apenas preâmbulo para a única frase que eu realmente queria falar aqui: é necessário medir o custo/benefício de tudo o tempo todo, pensando não só no momento presente, mas no futuro imediato e mais remoto.
Na hora, o único motivo para eu não responder o comentário do australiano no blog do Jonas foi o respeito que tenho por este. Agora estou vendo que era a única atitude correta a tomar, pois além de incorrer no erro de sujar o espaço do cara, ainda iria descolar uma animosidade completamente desnecessária.
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Janio, o que essas emrpesas que pretendem a internacionalização estão sofrendo ao desrespeitar detalhes culturais e estruturais dos locais onde querem vender, não pode ser escrito, de tanto que acontece.
Estive no TechDay e fiquei impressionado que ainda usem, para comentar o sucessor do Windows XP, o mesmo conjunto de tabelas padrões com todos os nomes e as relações em inglês… Pensei no momento, “não deu tempo destes caras fazerem algo para ambientar a demosntração?” Não tenho nada contra o Inglês, tu sabe, mas realmente penso que essas mega empresas e suas soluções não são pretexto suficiente para faltarem com o respeito e o espaço que a alteridade precisa.
Nunca tinha me sentido desta forma mas, com o passar do tempo, a falta de produção local e a falta de técnicos ambientados à cultura para a qual desejam vender… Posso estar errado mas não me impressiono tanto com palestrantes de afirmam terem ido ao Vale do Silício para aprender, mais me interessam o que sobreviveram e geraram conhecimento para cá, daqui mesmo, do jeito que precisamos, dentro da nossa realidade.
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